Rondônia, 19 de Setembro de 2018
MUNDO

Clérigo iraniano diz que haverá retaliação se EUA atacarem Teerã

Fonte: G1
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Um graduado clérigo iraniano advertiu nesta quarta-feira (22) que, se os americanos atacarem o Irã, os Estados Unidos e seu aliado Israel também serão alvos de ataques. Ahmad Khatami faz essa declaração em um momento em que a guerra de palavras se acirra após novas sanções impostas por Washington contra Teerã.

Khatami também disse a fiéis em Teerã que a proposta do presidente norte-americano, Donald Trump, de realizar negociações com líderes iranianos é inaceitável, uma vez que Trump quer que Teerã abra mão de seu programa de mísseis e de sua influência regional.

"Norte-americanos dizem que deveríamos aceitar o que eles dizem nas conversas. Então, isso não é uma negociação, mas uma ditadura. A República Islâmica e a nação iraniana combateriam uma ditadura", disse Khatami, segundo a agência de notícias Mizan, citada pela Reuters.

"O preço de uma guerra com o Irã é alto para a América. Eles sabem que se prejudicarem esse país e esse Estado na menor maneira, os Estados Unidos e seu principal aliado na região, o regime sionista (Israel), serão visados", disse Ahmad Khatami.
Nesta terça-feira (21), o Irã apresentou o caça "Kowsar" durante um desfile militar em Teerã. A televisão estatal divulgou imagens do presidente iraniano, Hassan Rohani, na cabine do avião, que é o primeiro avião de combate 100% produzido no país.

Rouhani afirmou que a capacidade militar de Teerã é o que impede Washington de atacar a República Islâmica, acrescentando que sob o governo do presidente Donald Trump, os EUA estão se tornando isolados até de seus próprios aliados.

"Quando falo de nossa capacidade de defesa, isto significa que buscamos uma paz duradoura", afirmou Rohani em um discurso exibido na TV pública.

Relações tensas
A relação entre os dois países, pouco amistosa desde a Revolução Islâmica de 1979, deterioraram-se após a chegada de Trump ao poder. Em maio, Trump retirou o seu país do acordo nuclear multilateral de 2015, firmado pelo seu antecessor, Barack Obama. O acordo previa que o Irã se comprometeria a limitar suas atividades nucleares em troca do alívio em sanções internacionais.

O presidente americano, que acusou o Irã de ser "o principal Estado patrocinador do terrorismo", afirmou que o país trapaceava o acordo para desenvolver seu programa nuclear e voltou a impor sanções a Teerã.

As novas sanções, que entraram em vigor em agosto, tentam atingir os programas de mísseis balísticos e influência regional do Irã - ameaçando prejudicar ainda mais a já maltratada economia iraniana.

Em julho, após elevar o tom contra o presidente do Irã, Trump surpreendeu ao dizer que estava aberto a negociar um novo acordo com o governo iraniano. "Nós estamos prontos para fazer um verdadeiro acordo, não como aquele feito pela administração anterior [de Barack Obama], que foi um verdadeiro desastre", afirmou. O governo iraniano já negou essa possibilidade.
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