Rondônia, 17 de Novembro de 2019
ESPORTES

Corrida mais curta da história teve apenas 14 voltas, e Ayrton Senna venceu no temporal de Adelaide

Fonte: Assessoria
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Há exatos 28 anos, no dia 3 de novembro de 1991, foi disputada na Austrália a corrida mais curta da história da Fórmula 1. Foram apenas 26 minutos em 14 voltas pelo alagado circuito de Adelaide, e a vitória ficou com o tricampeão Ayrton Senna. Aquele chuvoso GP também ficou marcado por ser o último de outro inesquecível tricampeão: Nelson Piquet.

Quem também era tricampeão em 1991, mas não teve nada o que celebrar na Austrália foi Alain Prost. Após espumar contra o carro da Ferrari nos jornais, a ponto de tê-lo chamado de caminhão, o francês foi sumariamente demitido antes mesmo dos treinos em Adelaide. Emblemáticas foram as retiradas da placa com o nome de Prost dos boxes e dos adesivos com o nome do piloto dos carros. Piloto de testes, Gianni Morbidelli foi chamado às pressas.

Recém-coroado com seu terceiro título mundial, Ayrton Senna foi o mais rápido desde a classificação de sexta-feira. No sábado pela manhã, choveu, e a pista ainda estava úmida no começo do segundo treino para definição do grid. Com o asfalto secando no fim, o brasileiro fez uma daquelas suas voltas voadoras e garantiu sua 60ª pole position, à frente de Gerhard Berger e Nigel Mansell.

No domingo, a chuva caiu com violência antes da largada. Mesmo assim, pelo fato de o Mundial de Construtores ainda estar por ser decidido entre McLaren e Williams e devido à montanha de dinheiro gasto pelos satélites de TV de todo o mundo, a corrida foi realizada "no grito". E lá foram os 26 carros para uma jornada insana no meio do temporal.

Senna manteve a ponta à frente de Berger, Mansell e Piquet, mas atrás deles o caos começou rapidamente. Nas primeiras voltas, bateram Satoru Nakajima (em sua última corrida de F1, pela Tyrrell), Thierry Boutsen (Ligier), Nicola Larini (Lambo), Jean Alesi (Ferrari), Michael Schumacher (Benetton) e Pierluigi Martini (Minardi).

Exceto Nakajima, os demais simplesmente aquaplanaram no meio da reta Brabham e estamparam seus carros nos muros de concreto. Pior: os carros ficaram espalhados no meio da reta, e os que seguiam na pista desviavam como podiam.

Mais atrás, Piquet deu uma rodada espetacular na entrada da reta mas conseguiu segurar o carro e voltar ao traçado. Depois, o tricampeão fez a melhor volta da corrida e manteve o quarto lugar, mas ficou mais afastado dos líderes Senna, Mansell e Berger.

Depois de passar o austríaco sabe-se lá Deus como, o Leão partiu com tudo para cima de Senna. Num dado momento, o inglês chegou a botar de lado no retão mas teve de recolher quando viu uma bandeira amarela por um dos carros que estavam batidos.

As condições pioraram muito a partir da décima volta e, pouco depois de os líderes abrirem a 16ª passagem, Mansell rodou e bateu com violência depois da chicane. Ao mesmo tempo, Michele Alboreto (Footwork) rodou na frente de Senna, e, mais adiante, Berger rodou duas vezes, ficando fora da pista.

Irritado, Senna gesticulou furiosamente para a direção de prova pedindo a interrupção da corrida, o que acabou acontecendo. Havia a intenção de se esperar a melhora do tempo, mas isso não aconteceu. Além disso, diante dos protestos de Ayrton Senna e Riccardo Patrese, a corrida não foi reiniciada. Como manda o regulamento, foi validado o resultado de duas voltas antes da interrupção, com Senna, Mansell, Berger, Piquet, Patrese e Morbidelli entre os seis primeiros. A pontuação foi atribuída pela metade.

- Não acho que foi uma corrida, era apenas uma questão de permanecer no circuito, e não havia motivo para tentar ir rápido. Era impossível! Tivemos uma corrida muito ruim aqui há alguns anos e era impossível, e hoje foi ainda pior! Havia ainda mais água na reta - reclamou o vencedor Senna.

Com 96 pontos e sete vitórias, Ayrton Senna encerrou sua melhor temporada na Fórmula 1 até então, com a velocidade de sempre e uma inteligência enorme na administração das corridas. Desta forma, o brasileiro impediu a escalada de Nigel Mansell para se sagrar tricampeão. Mas Ayrton jamais teria de novo um carro campeão até sofrer seu acidente fatal em Imola, em 1994.


Fonte: Formula 1
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