Rondônia, 23 de Setembro de 2020
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Felipe Nasr teve estreia de sonho na Fórmula 1, com quinto lugar na Austrália, há cinco anos

Fonte: G1
  • Felipe Nasr teve estreia de sonho na Fórmula 1, com quinto lugar na Austrália, há cinco anos
Uma das carreiras mais promissoras de um brasileiro na Fórmula 1 na última década começou há exatos cinco anos: no dia 15 de março de 2015, Felipe Nasr fez sua primeira corrida, pela Sauber, e conquistou um excepcional quinto lugar no GP da Austrália. Foi simplesmente a melhor posição de um brasileiro numa estreia em todos os tempos.

Após uma sólida carreira nas categorias de base, Nasr chegou à F1 pela Sauber. Apesar de a equipe ser experiente, havia dúvidas quanto ao desempenho do time após uma péssima temporada em 2014. Mas o novo carro nasceu bem, e o motor Ferrari evoluiu bastante, e havia boas expectativas para a equipe.

Porém, ah porém... Nasr teve de enfrentar um episódio difícil na chegada à Austrália, quando Giedo van der Garde entrou na justiça para guiar um dos carros, alegando que tinha contrato com a Sauber. A Sauber não participou do primeiro treino mas apelou e garantiu que já havia encerrado o contrato do holandês. A Justiça aceitou.

Na classificação, Nasr obteve um bom 11º lugar, cinco posições à frente do companheiro Marcus Ericsson. O brasiliense acabou ganhando de graça uma posição depois que Valtteri Bottas, sexto no grid, foi obrigado a desistir da corrida devido a fortes dores nas costas após uma escapada na classificação.

Bottas não foi o único que não conseguiu largar: Daniil Kvyat, da RBR, teve problemas de câmbio na volta de alinhamento antes mesmo de chegar ao grid; da mesma forma, Kevin Magnussen, que substituía Fernando Alonso na McLaren, parou com a primeira de muitas quebras do novo motor Honda...

Com esses problemas, mais a ausência dos dois carros da Marussia, de Roberto Merhi e Will Stevens, que não marcaram tempos no Q1 na classificação, o grid ficou com apenas 15 carros, o menor desde o GP de San Marino de 1982, famoso pela briga da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e a associação dos construtores (Foca).

Na largada, o pole position Lewis Hamilton resistiu aos ataques do companheiro de Mercedes Nico Rosberg, enquanto Felipe Massa, em ótima largada com a Williams, pulou para terceiro. Também com uma excelente partida, Nasr saltou de décimo para sexto. Um acidente com Pastor Maldonado levou o safety car à pista.

Na relargada, Nasr partiu com tudo para cima de Carlos Sainz, da STR, e passou de passagem no fim da reta dos boxes. À frente de Felipe, apenas as Mercedes de Hamilton e Rosberg, a Williams de Massa e a Ferrari de Sebastian Vettel. Nem mesmo nos melhores sonhos de Nasr, um quinto lugar parecia uma possibilidade.

O ritmo dos quatro primeiros colocados era bastante forte para Nasr acompanhar, mas o brasileiro também conseguia permanecer sem problemas à frente do ídolo local Daniel Ricciardo, até porque o motor Ferrari da Sauber rendia melhor do que o Renault da RBR. Com isso, Felipé conseguiu estabelecer bom ritmo.

Na troca de pneus, Massa acabou perdendo o terceiro lugar para Vettel e não conseguiu recuperar mais a posição, apesar de ter ficado perto do alemão até a bandeirada. Na frente, Hamilton controlou bastante bem as investidas de Rosberg e partiu para a primeira vitória na temporada que seria a de seu tricampeonato.

Já Felipe Nasr preservou bem seu carro durante toda a corrida e, sem ser atacado por ninguém, confirmou a melhor estreia de um brasileiro na história. Na volta aos boxes, o brasiliense foi festejado pelo dono da equipe, Peter Sauber, e pela chefe do time, Monisha Kaltenborn.

- Nem eu esperava que fosse assim na estreia. Estou muito feliz, controlar a emoção no fim foi difícil. Essa é para o Brasil, para todo mundo que acreditou, meus patrocinadores e minha família. Foi um alívio para todos nós depois do que aconteceu no fim de semana - comentou Nasr ao meu amigo Marcelo Courrege na saída do carro.

Felipe Nasr não repetiria esse resultado no restante da temporada, mas fez um bom trabalho e pontuou mais cinco vezes, com destaque para um sexto lugar na Rússia. No fim do ano, o brasiliense terminou em 13º. Infelizmente em 2016 a Sauber caiu muito de produção e, após problemas internos, Nasr deixou o time e a Fórmula 1.

É claro que Felipe se estabeleceu em outras categorias, em especial a IMSA, pela qual foi campeão em 2018. Com 27 anos, Nasr ainda tem muito futuro no automobilismo, mas confesso que fica uma ponta de frustração por não tê-lo visto por mais tempo na Fórmula 1. Seu talento é indiscutível.
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