Rondônia, 18 de Outubro de 2018
ESPORTES

Jenson Button conquistou primeira vitória na Fórmula 1 vindo do meio do pelotão

Fonte: G1
  • Jenson Button conquistou primeira vitória na Fórmula 1 vindo do meio do pelotão
O dia 6 de agosto de 2006, há 12 anos portanto, foi especial para o britânico de nome pomposo Jenson Alexander Lyons Button. Num chuvoso domingo em Hungaroring, o então piloto da Honda finalmente quebrou a barreira da vitória com uma improvável reação debaixo de chuva largando de 14º. Nunca antes - nem depois - alguém venceu no estreito e travado circuito húngaro largando tão atrás. Talvez nem ele, ou o saudoso pai John, acreditassem nessa façanha.

Button vinha tendo uma temporada apenas razoável. O carro da Honda, antiga BAR, não era dos piores, mas o motor V8 devia em relação aos propulsores de Ferrari, Renault, Mercedes BMW e até mesmo Toyota. Até a corrida anterior, na Alemanha, o inglês ocupava a sétima posição na tabela, com 21 pontos, cinco a mais do que o companheiro Rubens Barrichello. O melhor que Jenson conseguira havia sido um terceiro lugar na Malásia e uma pole na Austrália. Pior: Button já iria para o treino classificatório sabendo que perderia dez posições no grid de largada por uma troca de motor.

Mas essa não seria a única punição no grid... Fernando Alonso e Michael Schumacher, os dois postulantes ao título, teriam o acréscimo de dois segundos nas suas melhores voltas em cada parte do treino - o espanhol por pilotagem perigosa e ultrapassagens sob bandeira amarela na sexta-feira e alemão por ter passado o próprio Alonso e o estreante Robert Kubica sob bandeira vermelha. No fim, Schumi ainda ficou em 11º no grid, quatro postos à frente de Alonso, o líder da tabela.

Felipe Massa liderou as primeiras duas partes da classificação, mas no Q3 acabou superado por Kimi Raikkonen, que fez a pole position claramente usando menos gasolina na limitada McLaren-Mercedes - pela regra da época, os pilotos tinham de largar com a quantidade de combustível utilizada na classificação. Rubens Barrichello fez um bom treino com a Honda e ficou com o terceiro lugar no grid.

O domingo amanheceu com chuva em Hungaroring, o que proporcionou um fato inédito até então: pela primeira vez na história, o Grande Prêmio da Hungria seria disputado com pista molhada, pelo menos no começo. Barrichello arriscou largar com pneus para chuva forte, enquanto a maioria dos adversários optou pelos intermediários. No começo, até que a tática de Rubinho funcionou, e ele pulou para segundo, atrás de Raikkonen, a quem pressionou nas primeiras voltas.

Mas o show inicial foi mesmo de Schumacher e Alonso. Com a faca nos dentes, o alemão ganhou sete posições na primeira volta e, da mesma forma, Alonso subiu de 15º para sexto. Button também largou bem e ganhou três posições. Quem saiu mal e perdeu terreno foi Massa, que caiu de segundo para sétimo na primeira volta.

Com um funcionamento melhor dos pneus intermediários Michelin naquelas condições, Alonso continuou sua escalada. Passou o companheiro Giancarlo Fisichella logo na segunda volta e partiu para cima de Schumacher, que sofria com o comportamento dos seus pneus Bridgestone. Na quarta volta, o espanhol ultrapassou o rival alemão de forma espetacular por fora no lado oposto do circuito.

Logo em seguida, Rubens Barrichello desistiu dos pneus para chuva extrema e partiu para os intermediários, o que deu a Alonso o terceiro lugar, atrás do líder Raikkonen e de seu companheiro de equipe Pedro de la Rosa. Button também progredia e já era o sexto colocado com apenas cinco de 70 voltas completadas, após passar Fisichella e com o pit stop de Rubinho, seu companheiro na Honda. Dois giros depois, Button passou Schumacher e subiu para quarto.

A dupla da McLaren não resistiria muito tempo na ponta devido à opção por ter feito o treino classificatório com menos combustível do que os adversários. Com os pit stops de Raikkonen e De la Rosa, Alonso chegou à ponta na volta 18. Como tinha muito mais gasolina, o espanhol parecia o dono da corrida, já que pararia bem mais tarde e teria pista limpa até lá.

O único que parecia ameaçar Alonso era Raikkonen, mas este abandonou a prova na volta 26 após atropelar a STR de Vitantonio Liuzzi. O safety car entrou na pista, o que só favoreceu a estratégia de Alonso, e também permitiu a Button encostar em De la Rosa e ultrapassá-lo após a relargada. Naquele momento, a pista ainda estava molhada o suficiente para o uso dos pneus intermediários, e, com o reagrupamento do pelotão, a expectativa era a de uma briga intensa pela vitória.

Mas Alonso se manteve tranquilo na liderança, com Button a uma distância controlada. Quem reagiu foi Schumacher, que escalou o pelotão até chegar à terceira posição, embora longe dos dois primeiros. Como a chuva parou, a pista começou a secar rapidamente, e Button e Alonso decidiram fazer mais um pit stop para colocar pneus de pista seca. Mas a Renault não prendeu corretamente a porca da roda traseira direita, e Alonso perdeu o controle do carro na volta à pista. Button era o novo líder, com Schumacher em segundo.

Mas aí o alemão e a Ferrari erraram na estratégia. Schumacher tentou resistir na pista quase seca com pneus intermediários e rapidamente perdeu rendimento. Schumi passou a receber a pressão de Pedro de la Rosa e, ao tentar manter a posição, acabou tocando no espanhol e danificando o carro e causando o abandono.

Tranquilo, Button recebeu a bandeira quadriculada com 30 segundos de vantagem sobre De la Rosa, com Nick Heidfeld em terceiro e Rubens Barrichello em quarto. Como parou a três voltas do fim, Schumacher ainda foi classificado em oitavo, atrás de Felipe Massa, e marcou um pontinho graças à desclassificação de Robert Kubica.

Quanto a Button, sua carreira deslanchou de vez apenas em 2009, quando a Honda deixou a F1 e Ross Brawn comprou o espólio da equipe a preço de banana. Num dos maiores milagres da história da categoria - e com uma interpretação bem peculiar, digamos, do regulamento - a Brawn GP dominou o campeonato, e Button foi campeão com seis vitórias. No ano seguinte, o inglês foi para a McLaren, foi vice em 2011, e correu até 2017, acumulando 15 vitórias em toda a carreira.
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