Rondônia, 24 de Junho de 2019
ESPORTES

O épico dia em que Ayrton Senna venceu no México após Emerson Fittipaldi ganhar em Indianápolis

Fonte: Assessoria
  • O épico dia em que Ayrton Senna venceu no México após Emerson Fittipaldi ganhar em Indianápolis
O automobilismo brasileiro viveu um de seus dias mais gloriosos há exatos 30 anos. No dia 28 de maio de 1989, Emerson Fittipaldi conquistou de forma extraordinária a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis depois de uma épica batalha contra Al Unser Jr. Horas depois, Ayrton Senna venceu o Grande Prêmio do México com uma exibição arrebatadora, com quase um minuto de vantagem sobre o rival Alain Prost, apenas o quinto colocado na prova.

Senna e Prost viviam momentos de tensão na McLaren. Como o F1 Memória já contou, os dois entraram em rota de colisão após a ultrapassagem do brasileiro sobre o francês na primeira volta na prova de Imola. Em Mônaco, após declarações fortes de Prost ao jornal "L'Equipe", Senna ganhou com mais de 50 segundos de vantagem. O round seguinte seria no ondulado e manhoso circuito Hermanos Rodríguez.

Senna deu novo show no treino classificatório e conquistou sua 33ª pole position, igualando o recorde de Jim Clark. A vantagem foi de incríveis 0s897, enquanto Nigel Mansell (Ferrari) e o surpreendente Ivan Capelli (March) ficaram na segunda fila, com Riccardo Patrese (Williams) e Gerhard Berger (Ferrari), de volta após o assustador acidente de Imola, em quinto e sexto.

Já no grid de largada, Ayrton Senna recebeu de Reginaldo Leme a notícia de que Emerson havia acabado de vencer em Indianápolis. O então campeão mundial ficou muito emocionado ao saber, já que era amigo de Fittipaldi. Foi uma daquelas corridas que entram para a história do automobilismo como um roteiro de filme.

No mítico oval americano, Emerson subiu de terceiro para primeiro após a largada e controlou a maior parte da corrida com um excelente acerto em seu chassis Penske-Chevrolet. No entanto, no último pit stop a equipe Patrick colocou mais combustível do que o necessário para o que restava na prova.

Resultado: com o carro pesado, o brasileiro acabou ultrapassado por Al Unser Jr. A vitória parecia perdida, mas Emerson aproveitou os retardatários para tentar o troco no americano, a duas voltas do fim. Na curva 3, os carros se tocaram, e Unser bateu, enquanto o brasileiro seguiu para a vitória.

Não haveria melhor forma de homenagear Emerson com uma grande atuação e, quem sabe, uma vitória. Dito e feito. Senna não sabia, mas já tinha "vencido" a prova antes mesmo de ela começar. Isso porque, diante do calor na Cidade do México e do fato de a maior parte das curvas ser para o lado direito, incluindo a famosa Peraltada, Ayrton fez uma escolha mista de pneus: compostos médios do lado esquerdo e macios à direita. Já Prost, Mansell e Berger escolheram quatro macios, e Patrese, quatro duros. A opção de Senna se revelaria perfeita.

Os dois pilotos da McLaren largaram mal, e Mansell tentou se enfiar pelo meio. Ayrton conseguiu reter a liderança, mas Prost acabou superado não só pelo inglês, como por Berger. Mais atrás, só confusão, com Andrea de Cesaris (Dallara) se enrolando com Philippe Alliot (Lola), Martin Brundle (Brabham) batendo em Satoru Nakajima (Lotus), e Stefano Modena (Brabham) rodando com Olivier Grouillard (Ligier), além de Alex Caffi (Dallara) escapando. Numa época em que não havia safety car, a bandeira vermelha foi agitada para reorganizar tudo.

Na relargada, Senna partiu com perfeição e foi seguido por Prost, Berger, Mansell e Patrese. Como se imaginava, os dois carros da McLaren dispararam na frente, mas, de forma surpreendente, o francês pressionava bastante o brasileiro, fugindo das suas características de poupar o carro e pneus nas primeiras voltas.

Apesar de não ter sequer esboçado uma tentativa de ultrapassagem, Prost seguia nos calcanhares de Senna. Mas, a partir da décima volta, o brasileiro começou gradualmente a abrir, fazendo as melhores voltas da prova. Com 20 voltas, a vantagem já era de cinco segundos. Os pneus do francês já estavam no bagaço, e o pit stop foi inevitável.

Como não pretendia trocar os pneus, Senna continuou trabalhando para manter uma distância segura do segundo colocado Nigel Mansell mas sem forçar demais. Os pneus do lado esquerdo, a maior preocupação do brasileiro, seguiram em bom estado, e Ayrton manteve sempre uma diferença tranquila até chegar a dez segundos, na volta 43 de 69. No entanto, Mansell abandonou em seguida, com o câmbio semiautomático aprontando das suas.

Com a quebra de Mansell, a segunda posição passou às mãos de Riccardo Patrese, mas este já estava 41 segundos atrás. Aliás, o italiano estava mais preocupado com o terceiro colocado Michele Alboreto, que fazia sua melhor corrida em anos com o carro da Tyrrell. A esta altura, Prost já havia trocado de pneus pela segunda vez. Definitivamente a escolha pelos pneus macios do lado esquerdo foi um equívoco colossal.

Com muita tranquilidade, Senna passou a administrar a tranquila vantagem sobre Patrese, que por sua vez também conseguiu se livrar de Alboreto. Os três permaneceram nestas posições até a bandeirada final, com o brasileiro tirando o pé nas últimas voltas para completar a prova 15 segundos à frente do piloto da Williams. Alessandro Nannini foi o quarto, Alain Prost chegou numa decepcionante quinta posição, a 56 segundos de Senna, e Gabriele Tarquini (AGS) acabou em sexto.

Com a terceira vitória consecutiva, o brasileiro assumiu isoladamente a liderança do campeonato, com 27 pontos contra 20 de Prost. Patrese comemorou o primeiro pódio desde 1987, também no México, enquanto Alboreto terminou pela 23ª e última vez entre os três primeiros colocados. A festa também foi grande para Tarquini, que marcou o seu único ponto na F1 e também o único da história da equipe AGS na categoria.

Com mais uma vitória esmagadora sobre Prost, muitos acreditavam que o bicampeonato de Senna seria uma mera formalidade, dada a superioridade que o brasileiro vinha demonstrando. Mas o francês jamais poderia ser menosprezado, e, ajudado por uma incrível série de abandonos de Ayrton, virou o jogo e partiu para um polêmico título.


Por Sabino - Globo Esporte
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