Rondônia, 18 de Agosto de 2019
BRASIL

Operação resgata 268 tartarugas em RR, prende e multa dois em R$ 2,6 mi

Fonte: G1
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Quase 270 tartarugas-da-amazônia foram resgatadas na região do Baixo Rio Branco em Caracaraí, no Sul de Roraima, na noite dessa quarta-feira (11), segundo divulgado nesta quinta (12) pelo Parque Nacional do Viruá, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio). Dois homens foram presos em flagrante, multados em R$ 2,6 milhões pelo tráfico dos animais e conduzidos à Polícia Federal. As tartarugas apreendidas, algumas com até cem anos de idade, foram devolvidas ao habitat natural.

Os animais foram apreendidos ensacados, sendo transportados em duas embarcações conduzidas pelos traficantes para a cidade de Caracaraí, onde seriam vendidos por R$ 200,00 cada, segundo os fiscais que participaram da ação. O flagrante ocorreu em um local próximo à foz do rio Ajarani, no entorno do Parque Nacional do Viruá.

“Recebemos a denúncia de que essa quadrilha estaria agindo na região próxima ao parque, e ativamos imediatamente a operação. O flagrante só foi possível porque agimos à noite, no escuro”, explicou Samuel Rodrigues, técnico do ICMBio. “Quando localizamos os suspeitos, seguimos até que estivessem no meio do rio, e só então fizemos a abordagem para evitar que eles fugissem”, relatou.

A região possui grandes tabuleiros de desova de tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa), cujas fêmeas se tornam mais vulneráveis à captura no período reprodutivo, durante a estação seca, quando o nível dos rios baixa e se formam as praias de areia.

Segundo os fiscais, quando elas sobem nas praias para depositarem os ovos, os traficantes as viram de casco para baixo, imobilizando-as para serem recolhidas. Então, são aprisionadas durante vários dias nos chamados 'currais'. “Lá, elas são estocadas amontoadas, sem água nem alimento, até o dia do transporte”, explicou Rodrigues.

No entanto, o principal método de captura é ainda mais cruel. Segundo ele, a grande maioria é capturada com o uso dos chamados “capa-sacos”, uma espécie de rede de malha grossa, que pode chegar a 400 metros de comprimento.

“Eles são estirados de uma margem à outra do rio e ficam abertos para que os animais possam entrar. Há casos em que a gente encontra boto, peixe-boi e outros animais, que muitas vezes acabam morrendo porque não podem subir pra respirar”, destaca.

De acordo com o fiscal do Ibama Carlos Dantas, os dois traficantes presos também tiveram embarcações e motores náuticos apreendidos. No caso da multa, o valor foi duplicado, porque os animais seriam comercializados. “O valor é de R$ 5 mil por animal e foi duplicado por haver interesse pecuniário, para comércio”, explicou.

Segunda operação em uma semana
A apreensão ocorre uma semana após outra operação que resultou no maior resgate de tartarugas adultas dos últimos dez anos em toda a Região Amazônica, quando foram apreendidas e soltas 383 tartarugas, que estavam sob o poder de duas quadrilhas de traficantes. “Na operação anterior, já tinham sido aplicados R$ 7,5 milhões em multas para outros 8 traficantes”, relatou o fiscal.

As ações do Parque Nacional do Viruá já totalizam 1.960 tartarugas da Amazônia resgatadas de traficantes e devolvidas aos rios da região com vida nos últimos cinco anos. O número é um recorde para toda a Amazônia em referência à apreensão e soltura de tartarugas adultas na região. Apenas neste ano, já são 858 tartarugas adultas salvas graças às ações conjuntas.

Segundo a analista do ICMbio Beatriz Lisboa, o sucesso das operações se deve às parcerias com o Ibama, Cipa, às estratégias de inteligência e ao uso de equipamento próprio do parque.

“Apesar de todas essas apreensões se darem fora dos limites da unidade de conservação, a gestão do Parque Nacional do Viruá tem feito um grande esforço para viabilizar essas ações, pois sem a parceria dos órgãos ambientais a população de tartarugas da região seria drasticamente reduzida em poucos anos", assegura.

As ações de combate ao tráfico de quelônios na região seguem até o final do verão, em abril de 2016. Desde 2011, elas são inteiramente custeadas pelo Parque Nacional do Viruá com recursos do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) do Ministério do Meio Ambiente.
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