Rondônia, 19 de Setembro de 2018
ESPORTES

Primeiro título na F1 coroou temporada quase perfeita de Jim Clark em 1963

Fonte: Assessoria
  • Primeiro título na F1 coroou temporada quase perfeita de Jim Clark em 1963
Por Fred Sabino, Fórmula 1


Poucas vezes na história da Fórmula 1 um piloto apresentou um desempenho tão fantástico numa temporada. Em 1963, Jim Clark venceu sete das dez corridas do campeonato, obteve ainda um segundo e um terceiro lugares, e só abandonou uma corrida, a primeira do ano (Mônaco), depois de liderar mais da metade da prova. E há exatos 55 anos, o escocês conquistou por antecipação seu primeiro de dois títulos mundiais.

Jim Clark chegou a Monza, palco da sétima de dez etapas, com uma confortabilíssima vantagem de 20 pontos sobre o vice-líder John Surtees sendo que apenas os seis melhores resultados de cada piloto seriam validados no fim da temporada. Como já havia vencido quatro provas e feito um segundo lugar, Clark já tinha 42 pontos de 54 possíveis em todo o ano. Com uma vitória na Itália, o escocês chegaria a 51 pontos, e Surtees, se chegasse em segundo, ainda poderia chegar a 55 no fim do ano mas teria de descartar resultados. Ou seja, bastava uma vitória a Clark para liquidar a fatura.

Antes da prova, a discussão nos bastidores era em relação ao uso - ou não, como diria o poeta - do traçado completo de Monza, com direito ao oval inclinado no sentido horário. Por questões de segurança, foi decidido que apenas o traçado de 5,7 quilômetros seria utilizado no fim de semana. De qualquer forma, nos treinos houve um fortíssimo acidente com o neozelandês Chris Amon, que bateu sua Lola e foi atirado para fora do carro - o piloto fraturou três costelas.

Correndo diante da fanática torcida italiana, Surtees levou a Ferrari à pole position na centésima participação da equipe na F1, com 0s8 de vantagem para o segundo colocado Graham Hill (BRM). Clark, que havia largado na frente em cinco das seis corridas anteriores em 1963, se classificou "apenas" em terceiro, a 1s7 de Surtees, com outra BRM, de Ritchie Ginther, na quarta posição.

Hill tomou a liderança na largada, seguido por Clark, mas Surtees ainda terminou a primeira volta em segundo. Imediatamente começou a guerra de vácuo - lembrem-se de que Monza não tinha chicanes ainda - e Hill foi ultrapassado pelos seus dois perseguidores na quarta volta. Surtees manteve a liderança até a volta 17 de 86, quando o motor Ferrari abriu o bico: Jim Clark já era campeão mundial de 1963.

Sem contar com o vácuo de Surtees, Clark perdeu terreno e foi alcançado por por Hill e Dan Gurney. Começou então um frenético revezamento na liderança, com o primeiro lugar trocando 18 vezes entre os três, da 24ª à 56ª volta. Sete giros antes, Hill parou com problemas de embreagem, deixando a briga entre Clark e Gurney, aliás, um dos pilotos que o escocês mais respeitava na Fórmula 1.

Mas Gurney perdeu rendimento com problemas na alimentação de combustível, e com isso Clark respirou na liderança, a ponto de permitir que o novo segundo colocado Richie Ginther tirasse a volta que havia levado. Mesmo assim, o escocês comemorou o título mundial com uma vitória categórica com mais de um minuto de vantagem sobre o americano, com Bruce McLaren completando o pódio.

Foi a última vez que uma corrida de Fórmula 1 ultrapassou a barreira das 300 milhas (482,7 quilômetros), com as 307,268 milhas completadas nas 86 voltas - hoje em dia, as provas têm cerca de 300 quilômetros, e em Monza o GP tem apenas 53 voltas. Com a conquista, Clark se tornou o primeiro campeão mundial com três corridas de antecipação, e a Lotus também garantiu o primeiro de sete campeonatos de construtores.
  • Primeiro título na F1 coroou temporada quase perfeita de Jim Clark em 1963