Metade dos eleitores brasileiros acredita que existe possibilidade de interferência estrangeira nas eleições de 2026. É o que aponta uma nova pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (22).
De acordo com o levantamento, 50% dos entrevistados consideram que há alguma possibilidade de outros países interferirem na eleição brasileira. Outros 43% descartam essa hipótese, enquanto 8% não souberam responder.
A percepção ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos e às manifestações de autoridades estrangeiras sobre o processo eleitoral brasileiro.
Para 32%, uma eventual interferência seria um problema
O levantamento também procurou saber como os eleitores avaliam uma possível interferência externa.
Entre os entrevistados, 32% afirmaram que uma interferência estrangeira seria um problema, enquanto 18% disseram enxergar a possibilidade, mas não considerá-la necessariamente negativa.
A percepção varia de acordo com a preferência política dos entrevistados. Entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 36% avaliam uma eventual intervenção estrangeira como problemática. Entre os que declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), esse percentual é de 24%.
A diferença mostra como o tema está diretamente relacionado à polarização política que marca a disputa presidencial de 2026.
Relação com os Estados Unidos
A preocupação dos eleitores aparece em um momento de forte desgaste nas relações entre Brasília e Washington.
O governo de Donald Trump adotou medidas comerciais contra produtos brasileiros e também houve ameaças de sanções contra autoridades do país. Paralelamente, o governo brasileiro recusou pedidos de vistos para funcionários americanos que pretendiam viajar ao Brasil para tratar de questões relacionadas às eleições.
O episódio alimentou o debate sobre uma eventual tentativa de influência externa no processo eleitoral brasileiro.
Trump também teria manifestado interesse em questionar aspectos relacionados à condução das eleições brasileiras, aumentando a preocupação de setores políticos e diplomáticos em Brasília.
Argentina também entra no cenário
A tensão não se restringe à relação entre Brasil e Estados Unidos.
O presidente argentino Javier Milei também vem adotando uma postura crítica em relação ao governo Lula e a autoridades brasileiras. Durante a campanha eleitoral, Milei participou de um evento do PL ao lado de Flávio Bolsonaro, aproximando-se publicamente de setores da oposição brasileira.
O envolvimento de líderes estrangeiros no ambiente político nacional contribui para ampliar a discussão sobre até onde pode chegar a influência internacional durante uma eleição presidencial.
Pesquisa foi realizada após o registro das candidaturas
O Datafolha entrevistou 2.058 eleitores presencialmente entre os dias 18 e 20 de agosto, em 128 municípios.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi realizado após o registro oficial das candidaturas e já durante o início da campanha eleitoral de 2026, período em que questões internacionais passaram a ocupar espaço maior no debate político.
Debate sobre soberania eleitoral
A percepção de metade dos brasileiros sobre uma possível interferência estrangeira coloca a soberania do processo eleitoral no centro da discussão.
O Brasil possui um sistema eleitoral baseado em urnas eletrônicas e submetido à fiscalização da Justiça Eleitoral. Em um cenário de crescente polarização política e circulação de informações nas redes sociais, qualquer manifestação de governos estrangeiros sobre o processo pode ganhar grande repercussão dentro do país.
A preocupação também se conecta ao debate internacional sobre desinformação, influência digital e participação de governos estrangeiros em processos eleitorais.
Eleição de 2026 ganha dimensão internacional
A pesquisa mostra que a disputa presidencial brasileira não está sendo acompanhada apenas sob a perspectiva doméstica.
Questões comerciais, diplomáticas e ideológicas passaram a fazer parte do ambiente eleitoral, especialmente diante das divergências entre o governo Lula e a administração Trump.
Em paralelo, a aproximação de figuras estrangeiras com candidatos brasileiros adiciona uma nova dimensão à campanha.
Para metade dos eleitores ouvidos pelo Datafolha, portanto, a possibilidade de influência externa deixou de ser uma hipótese distante e passou a fazer parte do debate sobre as eleições de 2026.
Fonte: Rondônia 24 Horas
Com Informações de Data Folha
